terça-feira, 31 de maio de 2011

Na margem da ganância

Eu quero coisas que não posso ter
Desejo amores que não posso amar
Vibro as vitórias que não são minhas
trilho um caminho que meus pés não pisarão

Vejo aquilo que se escondeu
Corro riscos, subo montes
Arrisco tudo na incerteza de ganhar
Faço poesias que não dizem nada

Vendo o que é do outro
Compro aquilo que já é meu
Odeio quem me ama, finjo ser insana
Mas sei de onde vim e não sei para onde vou

Numa selva de incertezas, a fraqueza me assola
Oh querido, eu vou embora lá para a casa dos meus
Meus? O que é meu?
Minha vida foi esquecida na cegueira da ganância e de
um sonho de infância, arrematei a solidão.

Mayara Medeiros Cruz

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Numa terra para gigantes (I love SP)

Texto e fotos Mayara M. Cruz

Na semana passada, na tentativa de dispersar o mau dos meus pensamentos, resolvi andar pela cidade de São Paulo (literalmente, andar).
Eu e meu marido, perdidos numa terra de gigantes, ou melhor, para gigantes, eleboramos alguns trajetos turísticos e culturais da cidade, mas não conseguimos concretizar 2% dos pontos turísticos da "terra da garoa".



20/05/2011
Primeira parada: Estação da Luz

"Luz que me incendeia, me alastra, me embriaga"

A Estação foi construída no fim do séc. XIX, com o objetivo de sediar a Companhia S. Paulo Railway, de origem britânica. Outro objetivo foi a de construir a parada de Santos a Jundiaí.





Segunda parada: Parque da Luz









Um lugar de paz apesar da rotina que permeia lá fora. Dentro do Parque da Luz o mundo é diferente, é poético e espiritual. As pessoas observam, praticam atividades físicas, leem e namoram; até os animais entram na conexão de relaxamento e naturalismo do Parque, que poderia ter outro nome: Parque do Refúgio.


Paz, amor e harmonia!









O Parque fica de frente com a Estação e a entrada é gratuita. Lá eu observei muitos paulistanos fazendo sua parada no Parque para descansar e fazer um lanchinho.
Eu também encontrei "coisas" estranhas, como por exemplo uma caverna artificial que na minha opinião, não serve para nada, nem mesmo para embelezar o espaço, mas estava lá!.






Terceira parada: Museu da língua portuguesa, em homenagem à Professora Regina Amélio


No segundo andar, o visitante se depara com um imenso telão audiovisual que conta a história e curiosidades sobre a língua portuguese "brasileira" e sobre o povo brasileiro.



No caminhar da exposição, tirei foto de alguns painéis com informações sobre a nossa língua, desde os colonizadores do Brasil.


Portugueses, os aventureiros











Mesmo pulando grande trecho que conta a história da chegada dos portugueses e a civilização dos índios, o Museu da Língua Portuguesa é uma viagem literária e histórica sobre tudo aquilo que engloba a comunicação.
Até hoje no Brasil, exixtem índios de diversas aldeias espalhados pelo país e que falam 180 línguas diferentes (Observação, Mayara em Tupi Guarani, significa 'cachoeira').




 A era da evolução da comunicação, homenagem ao professor Pedro Coubassier





 A nova língua: Internetês





 Um momento de mudança na história do Jornalismo: Objetivismo, clareza e informação.




Museu da Língua Portuguesa
Local: Estação da Luz
Ingresso inteira: R$ 6,00/ meia: R$ 3,00
De terça a domingo, das 10h ás 18h




Quarta parada: Pinacoteca





A Pinacoteca do Estado de S. Paulo também faz parte do complexo cultural da Luz. Lá as pessoas encontram arte, quadros, manifestações artística, biografia dos artistas nacionais e internacionais. No piso inferior, existem salas com paredes de vidro, rigorosamente protegidas, mas que todo o público pode observar os profissionais realizando reparações em obras de arte. No mesmo piso, o visitante toma um delicioso café na cafeteria da Pinacoteca. Mas já aviso, é caro!

Alguns quadros que tive o prazer de observar:



Tarsila do Amaral, 1886



Almeida Júnior - Saudade, 1899



Candido Portinari - Mestiço, 1934



Alguns detalhes do pátio da Pinacoteca:






Pinacoteca do Estado de São Paulo
Praça da Luz, 02 - Luz -
Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h
Ingresso combinado (Pinacoteca e Estação Pinacoteca): R$ 6,00 e R$ 3,00
Grátis aos sábados.
Estudantes com carteirinha pagam meia entrada.
Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam.




DETALHES


Muitas vezes andamos preocupados com os nossos problemas e a observar aquilo que nos interessa, no meu caso, eu estava mais interessada nas crônicas de São Paulo, mas eu sei que nem tudo são flores!







 Prédio invadido, atrás da Estação da Luz.


Quinta parada: Metrô


Considero esta parada a mais cansativa. Pegamos o metrô sentido General Miguel Costa - Carapicuíba em horário de pico, ou seja, 17:40 hs.
Antes de mostrar a foto, um conselho, se você tem claustrofobia vá de táxi!





Agora, se você acha que o caminho será longo e chato, por que não comprar um livro em uma das máquinas de livros distribuídos entre os metrôs?! O valor varia de R$2,00 à R$15,00.





No outro dia...


21/05/2011
sexta parada: Centro velho - Artistas de rua


A rua 25 de março é muito conhecida pelo comércio popular. Pessoas de todo o país conhecem a 25 como o local onde se compra bolsas da Luíz Vitom e Vitor Ugo (rs!)

No entanto, como todo centro de cidades, existem os artistas de rua. Eu particularmente acho muito legal o trabalho destes artistas, naquele dia ganhei um pirulito do homem dourado que se fazia de estátua vestido de Chaves e tirei uma foto de um trio de garotos que tocava e cantava forró. No entanto, neste último, eu fiquei indecisa se o que eles faziam era certo ou errado. É certo ou errado?









Andamos poucas quadras dali e chegamos à nossa sétima parada: Mercado Municipal

Projetado pelo escritório do arquiteto Francisco Ramos de Azevedo em 1926, o Mercadão foi inaugurado em 25 de janeiro de 1933. A execução dos vitrais foi entregue ao artista russo Conrado Sorgenicht Filho, ao todo, são 32 painéis subdivididos em 72 lindos vitrais. (http://www.mercadomunicipal.com.br/index.php?page=institucional)


Obs.: Nunca comi um morango com tamanho de maçã!

As frutas, verduras e legumes são muito coloridos, parece até que todos os produtos foram tratados no photoshop. Mereceu um clic!















Andamos mais um pouquinho, passamos pelo entulho deixado pelo edifício São Vito, e entramos na última parada: Catavento

O projeto Catavento é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo e seu teor é educativo. Lá o visitante aprecia exposições sobre o sistema solar, universo, Brasil, Física, turismo, anatomia e cadeia evolutiva.

Minha nota para o Catavento? 5...por que? Porque eu tenho 23 anos, mas para as crianças é um lugar sensacional e para os adultos, o prédio e toda a sua arquitetura é magnífica.



















 Telégrafo: Objeto que pode ser apreciado no Catavento.






Funcionamento: terça a domingo
Horário: 09h00 às 17h00 (bilheteria fecha às 16h00)
Entrada: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia entrada para estudantes e idosos)
Estacionamento: R$ 5,00 - capacidade para 200 carros
Infraestrutura: acesso para pessoas com deficiência locomotora


Site: http://www.cataventocultural.org.br/home.asp


Hora de ir para casa!

Finalizei estes dois dias ainda insatisfeita. A cidade de São Paulo nunca para, nunca está dormindo, nunca está satisfeita. Minha missão ainda não acabou; não quero dizer que conheço São Paulo só porque passei de carro pela avenida Paulista, que já fui ao Playcenter e à rua 25 de março. Quero dizer que conheço sua essência na mais real vivência.

Suas cronicas são tão mais belas que o seu comércio e sua beleza não é destruída pelos seus pecados. Essa é a face a ser desvendada da 'terra da garoa' ou 'da enchente', como preferir.

M.M.C

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Paz, amor e responsabilidade

Quem pensa em hippies pensa em loucos, drogados e “sem noção”. No entanto, nos primórdios dos anos 70 e 80, os hippies eram jovens que lutavam a favor da liberdade seja de expressão, amor e drogas.
O mais conhecido evento lançado pelos hippies foi o Festival de Woodstock Music e Art Fair, realizado durante dois dias na cidade de Bethel em Nova Iorque, no ano de 1969. O Festival foi um marco histórico na era do “paz e amor”.

                                     Foto: Divulgação

Mas não foram somente os americanos que se juntaram em festivais e manifestações, no Brasil entre os anos 1970 e 1980 foram realizados quatro festivais apelidados de “Woodstock tupiniquim” que aconteceu na cidade de Iacanga no interior de São Paulo.

                                     Foto: Divulgação

No jornal Folhateen, na edição de segunda-feira (23), uma matéria especial falou sobre os hippies brasileiros que participaram do festival em Iacanga. Grande parte daqueles jovens que curtiram o show dos Mutantes, Alceu Valença e Erasmo Carlos; e fumaram muita maconha, segundo eles, hoje são doutores e engenheiros que não se arrependem de ter participado do festival, mas não deixariam os seus filhos estar lá.
Há 20, 30 anos atrás os jovens se preocupavam com o futuro do país, tinham iniciativas para se manifestar contra aquilo que os desagradava e manifestavam o seu amor e suas ideias para um mundo já capitalizado. Hoje em dia, poucos tomam essas iniciativas, os jovens de hoje pensam em seu próprio futuro, em suas obrigações e anseios.
Perguntei para uma colega de trabalho se ela seria hippie nos dias de hoje, “Eu!? Se eu sair pelada por aí eu sou presa e esculhambada pela sociedade”, respondeu.
Talvez, seja destes jovens que o mundo precise, eliminando as ‘drogas’ da tão famosa frase, podemos recrutar jovens de paz, amor e responsabilidade para reacender as verdadeiras ideias hippies e combater tudo aquilo que nos desagrada. Por que não?

M.M.C

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A culpa é delas! (diz, o machista)

No caderno 'Mundo' da Folha de S. Paulo deste último domingo (15/05/2011), uma matéria me chamou a atenção: "Marcha das vadias". Você deve estar pensando ser uma marcha de prostitutas ou adúlteras (preconceitos à parte), mas não é, a Marcha refere-se às mulheres que sofreram estupro e de certa forma, foram culpadas pelo ato sofrido.


                                            Foto: http://www.jornalagora.com.br
                                          

Na matéria da jornalista Luciana Coelho (Boston), conta-se a história de Jaclyn Friedman que foi estuprada por colegas na faculdade a vinte anos atrás e não deu queixa, pois ficou com medo das acusações inversas como: Por que você foi a esta festa? Por que usou esta roupa? Por que você bebeu?

Hoje, ela tem 39 anos e está à frente desta marcha no objetivo de exterminar a 'cultura de estupro' na qual a própria sociedade julga a mulher, ou muitas vezes a criança, de ter se insinuado ao agressor, e este por sua vez, incapaz de conter seu ímpeto, consumado o ato.

Mas de repente me surgiu uma dúvida: E quanto às mulheres mulçumanas que vestem burcas até o pé e mesmo assim, sofrem violência sexual? O estuprador de visão de raio-x?

A marcha surgiu nos Estados Unidos e seguiu para o Canadá.

É importante que as mulheres tomem atitudes quanto ao seu agressor e não pense jamais que ela tenha sido a culpada pela doença do estuprador. A roupa, a maquiagem, a delicadeza são fatores próprios e característicos de uma mulher e não devem ser censurados por uma sociedade conservadora e sem poder de discernir feminilidade de crueldade.

Estamos falando de homens, seres humanos e pensantes, não de animais em época de acasalamento.

Estupro é estupro, crime é crime e tem que ser julgado de acordo com grau de sua violência, pois mesmo que o criminoso seja punido, as marcas jamais sairão da mente, do corpo e da alma de uma mulher.


M.M.C

terça-feira, 3 de maio de 2011

Uma brincadeira de "Pinhém"



Sabe aquela brincadeira de Pinhém, na qual uma pessoa empilha sua mão em cima da mão de outra, que empilha a outra mão na sua, sendo apoiada por um leve beliscão?!...outra dica: as pessoas ficam cantando "Pinhém, pinhém, pinhém,..."?!

Para quem sabe, ótimo, mas para quem não sabe eu vou resumir: É uma brincadeira sem graça, sem objetivo educativo e ela nunca acaba, a não ser que os 'brincalhões' se cansem.

Desde os meu 12 anos de idade, a história de ódio e terror entre o Oriente Médio e os americanos tem se tornado uma brincadeira de "Pinhém", sem graça, maléfica e sem fim. No último domingo, o Senhor Presidente da república americana, Barack Obama (Obama...Osama??) fez um pronunciamento pomposo para informar quanto a suposta morte do "Enemy number one the United States of America".

Na madrugada , americanos saíram as ruas endoidecidos e gritando: USA, USA, USA. Aquilo foi mais triste do que o próprio ato em 11 de setembro de 2001. Por que? Porque mostra a tamanha crueldade que se alastrou pelo mundo, onde achávamos que os assassinos eram os terroristas da Al Qaeda, mas podemos observar que os pais americanos ensinam aos seus filhos a lei do "Aqui se faz, aqui se paga, baby!".

Não digo que devemos ser submissos à ditadura e violência, mas existem leis a serem cumpridas e principalmente, Ética a ser propagada. Hoje Obama é o herói, os americanos justiçados, Osama supostamente morto e a Al Qaeda cheia de ódio.

Numa aula de filosofia, minha professora citou sobre os questionamentos de Sócrates, um deles:

"O que é JUSTIÇA?"
"O que é VINGANÇA?"

OBS.: De imediato, você saberia responder a esta pergunta?

O que mais me impressionou foi a entrevista que um pai brasileiro deu a um canal aberto falando da morte de seu filho que estava em um dos aviões sequestrados e que atingiram uma das torres do World Trade Center, ele disse o seguinte:

"O que adianta a morte do terrorista, isso não trará meu filho de volta. Trará mais ódio e mais dor".

Vou ficando por aqui, mas desse Pinhém eu não vou fazer parte.