sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Do acaso ao caso [da sua vida]


É incrível olhar para o rosto do ser humano. Dependendo do momento em que se olha, do fator em que se encontra e da complexidade dos sentimentos, olhar para o outro é como olhar um abismo negro de futilidades e de sua própria ignorância.
Certo dia, enquanto eu aguardava o meu transporte, cumprindo a minha rotina de deveres e compromissos, enxerguei (no melhor, ou pior, sentido da palavra) um senhor de aproximadamente 62 anos - o mais exato possível – que acabara de descer de um ônibus vindo da cidade de Araiçoiaba da Serra.
O ônibus parou e todos desceram. De maneira arriscada, ônibus e carros param para embarcar e desembarcar passageiros na avenida Dom Aguirre em Sorocaba. Desta infestuosa e perturbadora movimentação, eis o meu personagem; um “senhorzinho” que vestia camisa e calça social, surrada e suja de terra, típicos de alguém que trabalha com horta e natureza.
Ela carregava consigo duas sacolas, uma de plástico e a outra de fios de náilon, ambas, aparentemente muito pesadas. A do náilon ele colocou no ombro direito a outra ficou no chão. O peso da primeira era tanto que o homem quase deixou cair o óculos encaixado no nariz e segurado pelas orelhas, resultado de tal força que transformou sua face parda, em vermelha.
Nas sacolas haviam produtos de hortifruti e nada mais. A expressão de esforço tomou-me e num momento em que minha mente estava anestesiada da mais pura sensação de egoísmo e distração, um simples homem - vários sentidos, no entanto, cabe á mim àquele de significado superficial – possuiu minha mente com o mais profundo despertar à realidade do povo em que me encaixo e da vida que eu escolhi.
Para ele, carregar as verduras e legumes era o compromisso mais importante naquele momento. Levar alimento para a família; alimento este que talvez tenha sido plantado e cultivado por ele mesmo.
É por essas e outras que eu desejo ser jornalista. Saber mais sobre aquele homem, poderia dizer muito sobre mim. Cada um na sua particularidade é capaz de oferecer os maiores tesouros!

MAYARA M. CRUZ

Nenhum comentário:

Postar um comentário