Dos filhos de 70 e 80, poucos sabem sobre àquela noite. Mas para os que vivenciaram a árdua noite de decisão de um festival da música brasileira, sabe o trânsito turbulento de emoções e sensações que lhes embrulhavam o estômago, domado da nicotina e do álcool.
As “vuvuzelas” de 67 soavam diretamente da garganta de jovens aflitos, transbordando de protestos e revoltas. Em plena ditadura militar, protesto contra a guitarra elétrica, o Brasil buscava encontrar-se no meio musical, consolidar seu próprio estilo que pudessem marcar sua história e realidade. Jovens na platéia, jovens no palco; Apaixonados pela música, aspirantes do recém nascido, ou até então, semi projetado, Tropicalismo, cantores e compositores como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Nara Leão, Elis Regina, Edu Lobo, Sérgio Ricardo, Roberto Carlos e muitos outros, levantavam sua bandeira diante de uma época cinzenta que eles a transformavam na cor de sua preferência sem se importar com o que poderia acontecer depois.
O depois é o hoje, os até então hippies, hoje são senhores ou já desencarnaram da carne do progresso. Acreditaram em seus ideais, em sua música, mesmo sendo jovens demais para idealizar alguma coisa, mas transformaram a história da MPB, ou melhor, deram vida a um estilo musical originalmente brasileiro, mesmo [em partes] influenciado por demais gêneros e culturas, a Música Popular Brasileira é propriamente dita, brasileira, sem rastros de qualquer outra contestação e não há outro som natural que se aloje em nossa alma.
Porém, para onde foi aquela noite? Morreu em 21 de outubro de 1967? Onde estão os jovens vaiadores e os idealistas? Depois de tanto uísque, nervosismo e alegria, a tendência da música brasileira era progredir, assim como a ditadura militar se extinguiu e aqueles jovens ensurdecedores tornaram-se adultos responsáveis e profissionais.
Os festivais acontecem, porém com bandas e músicos quase que inacessíveis ao público nacional, pode ser que os compositores do século XXI contestem sua revoltas, como um amor não correspondido, uma briga mal resolvida, ou uma vingança bem sucedida, não sabemos muito ao certo o que isso promoverá à sociedade, mas a tropicália é isso, não é? contestar alguma coisa!. As “popozudas” perdem a linha!
Aos reis e rainhas de 67 meu clamor, com ou sem guitarra, festivais ou não, a tropicália ainda vive nos cânticos minoritários, porém, crédulos da MPB.
TEXTO ESCRITO POR MAYARA MEDEIROS.
CONCURSO DA REVISTA BRAVO!
ANO: 07/ 2010
OBS.: Não ganhei o concurso, no entanto, fico feliz em compartilhá-lo com vocês!
Mayara Medeiros

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