No caderno 'Mundo' da Folha de S. Paulo deste último domingo (15/05/2011), uma matéria me chamou a atenção: "Marcha das vadias". Você deve estar pensando ser uma marcha de prostitutas ou adúlteras (preconceitos à parte), mas não é, a Marcha refere-se às mulheres que sofreram estupro e de certa forma, foram culpadas pelo ato sofrido.
Na matéria da jornalista Luciana Coelho (Boston), conta-se a história de Jaclyn Friedman que foi estuprada por colegas na faculdade a vinte anos atrás e não deu queixa, pois ficou com medo das acusações inversas como: Por que você foi a esta festa? Por que usou esta roupa? Por que você bebeu?
Hoje, ela tem 39 anos e está à frente desta marcha no objetivo de exterminar a 'cultura de estupro' na qual a própria sociedade julga a mulher, ou muitas vezes a criança, de ter se insinuado ao agressor, e este por sua vez, incapaz de conter seu ímpeto, consumado o ato.
Mas de repente me surgiu uma dúvida: E quanto às mulheres mulçumanas que vestem burcas até o pé e mesmo assim, sofrem violência sexual? O estuprador de visão de raio-x?
A marcha surgiu nos Estados Unidos e seguiu para o Canadá.
É importante que as mulheres tomem atitudes quanto ao seu agressor e não pense jamais que ela tenha sido a culpada pela doença do estuprador. A roupa, a maquiagem, a delicadeza são fatores próprios e característicos de uma mulher e não devem ser censurados por uma sociedade conservadora e sem poder de discernir feminilidade de crueldade.
Estamos falando de homens, seres humanos e pensantes, não de animais em época de acasalamento.
Estupro é estupro, crime é crime e tem que ser julgado de acordo com grau de sua violência, pois mesmo que o criminoso seja punido, as marcas jamais sairão da mente, do corpo e da alma de uma mulher.
M.M.C

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